Aposta real

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por Marisa Torres

Quando será que o LinkedIn vai acordar?

Quando vai mirar para a imensidão de histórias reais que ele atrai, mas esconde nas entrelinhas do politicamente correto na carreira?

Que carreira? Aquela que agora exibimos nas fotos de posts felizes, mas que, de fato, nos coloca na UTI dos hospitais. Senão dos hospícios?!

Mas vamos retomar os posts do LinkedIn. Talvez você preferisse ver aqui um post de um sorriso Colgate entre um cliente e um vendedor. Ou entre um grupo enorme de profissionais e a visita surpresa do chefe que fica a quilômetros de distância, mas hoje resolveu tomar caipirinha de graça no Brazil, digo Brasil.

Mas o que eu vejo é uma imitação de um Facebook trágico. O que há de errado com o real? Por que não usamos todas essas experiências para contar o quanto este mercado de trabalho tem nos tornado infelizes?

Por que não conseguimos medir as gestões de RH como deveríamos? Uma vez que elas pouco se importam de fato com o que as pessoas consideram importantes para a vida como um todo?

Por que o LinkedIn não está aqui para nos ajudar a refletir sobre nossas experiências profissionais? Um bom começo seria remunerar as pessoas e os posts para contar suas histórias reais. Com nome, sobrenome e empresas.

Muita ousadia, não? Seria impossível falar a verdade sobre nossos empregos, certo!? O quanto estamos desapontados, infelizes e doentes. E achamos tudo isso normal e nos mantemos, dia após dia, fazendo a mesma, mesmíssima coisa e postando fotos para impressionar nossos amigos que fazem o mesmo, sem a coragem de questionar o ritmo chato e previsível de vida que levamos adiante. Lógico que podemos, estamos empregados, o que mais nos falta? Falta a dignidade de assumir que não é bem isso que nos faz feliz.

No momento em que uma URL ou qualquer endereço de conexão verdadeira abrir espaço para as pessoas dizerem o que de fato sofreram em suas carreiras talvez seja mais impactante fazer parte dela.

Uma URL que promova a verdade das relações profissionais e interpessoais, antes que se possa pedir por uma entrevista de emprego.

Enquanto nos escondermos atrás de fotos-sorriso com chefes que odiamos e nos odeiam. Enquanto continuarmos a colocar no ranking das melhores empresas aquelas que nos envergonham nas manchetes de jornais em escândalos de roubos e subornos.

Enquanto acharmos normal ter de ser humilhados ou sujeitos a desaforos nos processos de seleção que não passam de uma triagem vulgar que não mede esforços em menosprezar profissionais do mais alto padrão.

Enquanto estivermos vivendo neste ambiente, o emprego que você deseja é tudo que você vai ter. Exatamente o que está descrito acima.

Quando vamos ter a coragem de abrir espaço para falar a verdade do que acontece no ambiente de trabalho?

Alguém aí se candidata? Vamos começar com uma verdade leve, em vez da completa. Talvez você possa usar um codinome, como nos tempos da ditadura. Ou talvez falar daquele emprego que você deixou para trás e não te afeta mais e não abrir logo de cara o nome de todos os teus ex-chefes que te seguem aqui. Talvez até só mencionar o ramo de atividade da empresa, sem citar nomes. Mas se a tua história for boa, sincera, garanto que vai te fazer muito bem escancarar isso e alertar quem está entrando nesta selva… e tem a doce ilusão de que tudo vai ser como as fotos do LinkedIn.

Talvez seja também a única forma de salvar o LinkedIn da mesmice de sempre. E de uma debanda geral em breve. Quem deseja conexões que não são verdadeiras? Uma vez que nem emprego você encontra aqui mesmo. No máximo, um sorriso falso, a espera daquele like que não virá. Nem aqui, nem lá.

Um tempo para não trabalhar

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por Marisa Torres

Um bom plano de carreira deveria conter a meta de ficar um tempo sem trabalhar. Não porque você perdeu o emprego. Mas deveria ser uma das metas de vida. Sim, é preciso coragem para dar esse passo. E se isso acontecer no momento de um desemprego. Sem problemas, porque está entre os teus planos, entre as tuas metas de vida e carreira.

E eu não estou falando de licença paternidade ou maternidade. Ou por motivos de saúde. Não. Estou falando de escolher ficar sem trabalhar, sem nenhum tipo de remorso.

Isso significa ficar um pouco sem aquelas outras metas que você já conhece tão bem. Vamos resumir. Sim, um ano para não ter metas. Para viver o dia a dia, sem esperar nada mais do que o dia tem para te dar.

Desfrutar um pouco daquela casa que você comprou, ou construiu e decorou com tanta paixão. Passar um tempo nela, que não seja apenas para dormir e acordar apressado para sair no dia seguinte.

Um tempo para brincar com os cães, que te acompanham por tanto tempo e imploram um pouco de atenção, sempre tão descuidada.

Um tempo para tomar café da manhã na varanda para harmonizar a alma ao vento que o dia sopra nos teus cabelos.

Um tempo para atender todos os chamados dos amigos para um café. Que delícia. A qualquer hora.

Um tempo para viajar sem muito destino. Sem hora de voltar. Sem data combinada com o retorno das férias.

Um tempo para dizer sim: seja buscar alguém no aeroporto; seja preparar um jantar, seja ler uma poesia. Ou vasculhar os álbuns de fotos antigas. Ir a um velório e sentir que o tempo vale pouco. Ou muito.

Um tempo para escrever um texto que talvez você nunca vá publicar. Vai ficar lá esperando para ser lido daqui a dez anos. Ou mesmo para rasgar, em seguida, porque você já experimentou tudo que ali está.

Um tempo para namorar. E sorrir. E conversar com amorosidade.

Um tempo para ouvir os amigos que estão com projetos que vão mexer muito com a vida deles e precisam de alguém para tentar vislumbrar o sonho.

Um tempo apenas para gastar o dinheiro que você suou para ganhar, mas que vai se permitir. Sem produzir nada. Apenas gastar. Um tempo sabático que não precisa ser o Caminho de Santiago da Compostela, que depois vira livro. Não, nada disso. Senão vira meta sob meta.

Apenas um tempo para abraçar pequenas coisas do cotidiano que te passam despercebidas. Uma loja nova no bairro que você nunca entrou, mas que tem peças de arte, artesanato e designers. Sem falar do pé de banana na porta. Ver as pitangas caindo do pé e manchando de vermelho a calçada que te leva. E o perfume te lembrar de alguém que ama aquela fruta. Sim, estamos falando de um deslocamento interior, nada de sala VIP no aeroporto de Frankfurt!

Um tempo para abraçar por mais tempo a tua mãe, que já está mais lenta em todos os movimentos. Mas te ama ainda mais e mais. E se tornou a pessoa mais doce que você conhece.

Um tempo para rir de si. Um tempo para curar feridas do amor, que o expediente de reuniões não te permite. Afinal, você tem de estar sempre bem. Sem olhos inchados, sem noites perdidas.

Um tempo para ir a uma festa na praia. Seja ela de Iemanja, ou de Ano Novo, ou comandada pelo DJ Tiesto. Ou ainda, um bate-volta para passar o dia com os pés dentro do mar. Catando conchinhas e pisando na areia molhada. Mergulhar até achar uma estrela para enfeitar um espelho do teu quarto. Ou te lembrar daquele dia.

Um tempo para acender uma luz, um incenso de mirra e agradecer aos teus anjos toda a proteção recebida. Ou ainda, simplesmente rezar por alguém que naquele momento precisa superar uma aflição. Qual empresa na qual trabalhou tem um altar, um santuário ou uma capela?

A maioria das pessoas de sucesso profissional tem um plano bem definido de carreira? Talvez não. Muitos certamente ouviram a voz da intuição e se lançaram às oportunidades a tempo de surfar na onda com elas e completar a bateria para a próxima etapa.

Que tal se a tua próxima onda for experimentar um tempo sem trabalhar? Você consegue se imaginar desfrutando o tempo pelo tempo? E nada mais?

Sim, muitos vão dizer… – mas como eu vou pagar as minhas contas?! E como você vai pagar as tuas contas se uma doença te mobilizar? E se você morrer?

Faça uma poupança especial para isso, como você faz para cuidar da educação dos filhos, ou para pagar a empregada doméstica ou aquela viagem a Disney.

Então, seria melhor esse plano desenhado em outra esfera. Que ele estivesse assentado na folha doce de te permitir ser algo que você nunca pensou ser. Que de fato nunca foi.

Eu sei, ainda, que muitos vão dizer: será difícil a certo ponto retornar ao mercado de trabalho. Com certeza. O que dizer ao futuro empregador? Eu tenho certeza que você vai ter tempo de pensar nisso, mas fica a dica: seja honesto. Diga que tirou um tempo para apreciar a vida. E se reconectar com você e valorizar algumas bênçãos do dia a dia. Diga que teve a coragem de fazer isso. Se a empresa não entender, ela certamente não é a empresa certa para você.

Mas não deixe que o tempo livre venha só quando estiver aposentado. Coloque uma meta na tua vida, agora. Você não precisa odiar o trabalho ou seguir websites com essa URL. Não.

Você precisa pensar que o trabalho pode ser apenas uma parte menor da tua vida. E ir fazer o ajuste certo a isso. Até chegar a hora de cumprir a meta.

O bônus? Isso você me conta depois que bater a meta. Mas posso te garantir, antes de tudo, que a moeda é a mesma: um tempo de grande aprendizado.

PPE não traz avanços para a redução da jornada e do salário

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 por Drausio Rangel

O PPE Programa de Proteção ao Emprego nasce praticamente para favorecer apenas algumas metas do governo. Mas é altamente burocrático para as empresas interessadas em aderir ao modelo, que pode ser facilmente substituído por uma antiga lei, muito mais eficaz. Já para o trabalhador não chega a ter a vantagem da redução de jornada efetivamente.

No dia 7 de julho de 2015 foi publicada a Medida Provisória nº 680/2015 que instituiu o Programa de Proteção ao Emprego.  Seu objetivo está destinado a evitar a situação de desemprego ou a sua duração, permitindo às empresas ajustarem a

produção à situação financeira, preservando, consequentemente, empregos,através de um programa de redução temporária da jornada de trabalho, com a respectiva proporcionalidade na redução salarial pago pela empresa, não

inferior ao salário mínimo, e com compensação parcial pelo Governo, custeado pelo FAT.

No caso em tela, o Governo também obtém a sua vantagem, já que a finalidade é reduzir os gastos com o Seguro Desemprego ou outras políticas do mercado de trabalho, com perspectiva de retomada do crescimento econômico.

A opção ao Programa de Proteção ao Emprego se dará por meio de adesão da empresa interessada que encontra-se em situação de dificuldade econômico-financeira, com duração máxima de 12 (doze) meses, podendo ser

feita até 31 de Dezembro de 2015.

As empresas que aderirem ao PPE poderão reduzir, temporariamente, em até 35% (trinta e cinco por cento), a jornada de trabalho de seus empregados, com redução salarial proporcional, condicionada à celebração de Acordo Coletivo de Trabalho específico, abrangendo todos os empregados da empresa ou, no mínimo, os empregados de um determinado setor.

A duração do PPE será de até seis meses, podendo ser prorrogada, desde que o período total não ultrapasse a doze meses. A compensação pecuniária compensada pelo Governo será equivalente a cinquenta por cento do valor da redução salarial e limitada a 65% (sessenta e cinco por cento) do valor máximo da parcela do Seguro Desemprego, mantendo-se enquanto perdurar o período de redução temporária da jornada de trabalho.

No entanto, o PPE também traz obrigações perante às empresas durante o período de vigência e adesão ao Programa, ou seja, elas terão de garantir o emprego ou a vedação de dispensar arbitrária/sem justa causa aos empregados abrangidos pela medida, e após o seu término, durante o prazo equivalente a um terço do período de adesão.

Para uma adesão pelo período de 6 (seis) meses, por exemplo, os empregados estarão protegidos com a garantia de emprego por 2 (dois) meses, após o término do Programa.

Da mesma forma, ficarão excluídas do PPE e impedidas de aderir novamente as empresas que descumprirem os termos da legislação vigente inerente à matéria em debate ou ao Acordo Coletivo de Trabalho celebrado com o Sindicato dos Trabalhadores; cometer fraude ao Programa de Proteção ao Emprego, sob pena de restituição ao FAT e pagamento de multa administrativa no importe de 100% (cem por cento) do valor.

Pela leitura, entendemos que o recolhimento previdenciário e fundiário será pela totalidade do valor recebido pelo empregado (parte empresa e compensação pecuniária custeada pelo FAT).

Por sua vez, a Portaria 1013/2015, publicada no dia 22 de julho de 2015, trouxe os requisitos para obtenção da compensação pecuniária, com base na Medida Provisória nº 680/2015, sendo este quitado por intermédio da CaixaEconômica Federal, mediante depósito da conta bancária da empresa participante para transferência ao empregado, através da folha de pagamento, com o fornecimento, no mínimo, das seguintes informações:

Empresa:

a)razão social; b)número do CNPJ/CEI; c)código CNAE da atividade principal; d)número do termo de adesão ao PPE;

e)período de adesão ao PPE; f)endereço; g)endereço eletrônico, números de telefone e fax, para contato;

Empregados abrangidos pelo PPE:

  1. a) nome; b) data de nascimento; c) nome da mãe; d) CPF; e) PIS; f) raça/cor; g)data de admissão; h) estabelecimento de trabalho; i)setor de trabalho; j)CBO da função/ocupação de trabalho; k) jornada de trabalho antes da redução; l) percentual de redução da jornada de trabalho; m) jornada de trabalho reduzida; n) valor do salário antes da redução da jornada de trabalho; o) percentual de redução do salário; p) valor do salário depois da redução da jornada de trabalho; q) valor da parcela correspondente ao Benefício PPE; e r) valor total a receber pelo empregado.

Cabe ressaltar que a empresa informará ao MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) os dados bancários para depósitos, valores e o código da agência da Caixa Econômica Federal, como também manterá atualizada, junto ao MTE, a relação e informações dos empregados beneficiados pelo Programa constantes do Acordo Coletivo de Trabalho.

Contudo, se o recurso não for transferido à Caixa Econômica Federal, esta não poderá realizar o pagamento do benefício do Programa. Já a Resolução nº 02/2015, também publicada no dia 22.07.2015, estabeleceu regras e procedimentos para adesão e o funcionamento do Programa de Proteção ao Emprego (PPE), sendo a adesão dirigida à Secretaria Executiva do Comitê do Programa de Proteção ao Emprego, com atendimento dos seguintes requisitos:

I – apresentar solicitação de Adesão ao Programa de Proteção ao Emprego, conforme modelo de formulário aprovado pela SECPPE, devidamente preenchido; II – comprovar registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ há, no mínimo, dois anos; III – demonstrar a regularidade fiscal, previdenciária e relativa ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, por meio da apresentação da Certidão de Débitos Relativos a CréditosTributários Federais e à Dívida Ativa da União e do Certificado de Regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – CRF/FGTS; IV – comprovar a sua situação de dificuldade econômico-financeira e V – apresentar Requerimento de Registro e demais documentos necessários para o depósito e registro do Acordo Coletivo de Trabalho Específico – ACTE no Sistema Mediador do Ministério do Trabalho e Emprego, conforme Instruções Normativas da Secretaria de Relações do Trabalho.

Será considerada em situação de dificuldade econômico-financeira, a empresa cujo Indicador Líquido de Empregos – ILE for igual ou inferior a 1% apurado com base nas informações da empresa disponíveis no CAGED.

No caso em tela, o Acordo Coletivo de Trabalho celebrado precisa ser registrado no site do Mediador e conter, no mínimo, as seguintes condições:

I – o período pretendido de adesão ao PPE; II – o percentual (único) de redução da jornada de trabalho, limitado a trinta por cento, com redução proporcional do salário; III – os estabelecimentos ou os setores da empresa a serem abrangidos pelo PPE; IV – a previsão de constituição de comissão paritária composta por representantes do empregador e dos empregados abrangidos pelo PPE para acompanhamento e fiscalização do Programa e do acordo; V – a relação dos empregados abrangidos, anexada ao Acordo, contendo nomes, números de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Físicas – CPF e no Programa de Integração Social – PIS e demais dados necessários ao registro do ACTE no MTE e pagamento do Benefício PPE.

O Acordo Coletivo de Trabalho deverá ser aprovado através de assembléia dos empregados da categoria, todavia, antes da sua formalização, a empresa precisará demonstrar ao Sindicato que foram esgotados os períodos de férias, inclusive coletivas e os Bancos de Horas. Observa-se que a celebração do Acordo Coletivo de Trabalho não é ação imediata, cabendo, inicialmente, a prova que outros meios jurídicos (férias e Banco de Horas) foram utilizados pelo empregador para resolver (ou tentar resolver) a dificuldade econômico-financeira e a preservação do contrato de trabalho.

Eventuais alterações no Acordo Coletivo de Trabalho serão submetidas ao registro no sistema do Mediador e submetidas à análise da Secretaria Executiva do Comitê do Programa de Proteção ao Emprego.

Do mesmo modo, eventuais alterações na relação de empregados deverão ser encaminhadas à Secretaria Executiva do Comitê do Programa de Proteção ao Emprego, com aprovação da Comissão paritária e em arquivo com o mesmo formato da relação original.

Entretanto, a aprovação das solicitações dependerá da disponibilidade orçamentária e financeira do Fundo de Amparo do Trabalhador- FAT, o qual custeará o pagamento do benefício do PPE.

Lembramos que no período de adesão ao Programa, a empresa não poderá contratar empregados para executar, total ou parcialmente, as mesmas atividades exercidas pelos trabalhadores abrangidos pelo Programa, exceto nos casos de reposição ou aproveitamento de curso de aprendizagem na empresa,nos termos do art. 429 da CLT, desde que o novo empregado também seja abrangido pela adesão.

Caso a empresa não atenda ao requisito da situação de dificuldade econômico-financeira poderá apresentar à Secretaria Executiva outras informações que julgar relevante para comprovar tal condição para análise e melhorias no Programa.

PONTOS DE REFLEXÃO SOBRE O PPE

Inicialmente há de se ressaltar que o PPE foi concebido com 7 (sete) meses de atraso, quando as empresas, atingidas pela crise econômica, já haviam sido inevitavelmente constrangidas a reduzirem significativamente o seu efetivo de mão de obra, gerando um dos maiores desempregos que o Brasil já sofreu.

Ou seja, a ineficácia do PPE não se restringe ao atraso, mas também ao fato de a Medida Provisória e suas regras vir a sofrer alterações, quando de sua apreciação no Congresso com emendas que desfigurem o seu texto atual.

No mérito, em seu conteúdo, o PPE apresenta um visível desequilíbrio nos direitos, obrigações e benefícios da MP para seus três protagonistas: Governo, Trabalhadores e Empregadores. Para melhor esclarecer meu ponto de vista vou fundamentá-lo com as seguintes constatações que estão no bojo da Medida Provisória.

O Governo é o maior beneficiário da MP senão vejamos:

1 – Propagar aos brasileiros ser criador e autor de um projeto que vai dar “Proteção ao Emprego”;

2 – Ao “proteger o emprego”, com redução de salário, o Governo continuará recebendo o recolhimento previdenciário e fundiário sobre o valor recebido pelo empregado (parte da empresa e da compensação a ser paga pelo FAT);

3 – O uso do PPE, evitando dispensas de empregados e garantindo empregos, reduzirá as concessões de Seguro Desemprego;

4 – A compensação pecuniária será feita através de depósito na Caixa Econômica Federal, na conta da empresa e paga ao empregado na Folha de Pagamento. Isto obrigará a empresa a abrir uma conta na Caixa Econômica, trazendo vantagens para a Caixa e para o Governo;

5 – O dinheiro da “compensação financeira” não virá dos cofres do Governo, mas do FAT (Fundo de Amparo aos Trabalhadores). Isto significa que os próprios trabalhadores pagarão parte do salário reduzido no PPE;

6 – O governo não assume nenhuma responsabilidade financeira com o PPE, pois se faltar dinheiro no FAT, não haverá depósito na Caixa Econômica e o trabalhador não receberá a “compensação pecuniária”;

Como se vê o governo, neste caso, aplica a “Lei de Gerson” e leva vantagem em tudo.

Para o trabalhador, em verdade, o PPE não é a vitória da redução da jornada de trabalho, tão reivindicada, é um “prêmio de consolação” de uma perda significativa de seu salário em sua economia doméstica e redução de seu poder aquisitivo por um período que pode variar até 12 meses.

Admitimos que o PPE lhe assegure, ainda que precariamente o seu bem maior na relação de trabalho que é o EMPREGO, todavia pagando um preço alto por culpa de anos de uma gestão sem foco, que não teve como objetivo o Brasil, o trabalhador e empresas honestas, mas sim o enriquecimento ilícito de Partidos, seus dirigentes e políticos.

Para empresários  e suas empresas, que apesar da enorme carga tributária geram empregos e riquezas, o PPE não passa de uma ilusão recheada de obrigações e uma imensa burocracia que torna o PPE impraticável nos termos em que está concebido. Ademais, se alguma empresa heroicamente conseguir atravessar a burocracia do PPE ficará refém do Sindicato Laboral que poderá recusar-se a fazer o Acordo Coletivo, condição essencial para sua realização.

Todavia, ainda se tiver que fazer uma recomendação diria que havendo imperiosa necessidade, a empresa tente negociar com o Sindicato de Trabalhadores uma redução de jornada e de salário nos termos da Lei nº 4.923 de 23/12/1965, a qual não exige a participação do Governo, não tem burocracia nos limites da Lei, a negociação é livre, a comprovação das dificuldades financeiras é feita perante o Sindicato Laboral e feito o Acordo Coletivo, o mesmo será protocolizado no Mediador do MTE.

Tudo simples e rápido como devem ser as ações em situações adversas e fora da normalidade. Pense nisso!

 

Drausio Rangel é advogado e Negociador Sindical.

 

O coaching desfigurado

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por Beatriz Pinheiro

img_foto_beatrizEle chegou aqui, de mansinho, ao final dos anos 80. Poucos davam coaching no Brasil, ficando restrito a São Paulo por um bom tempo. Mas o que era coaching? Que palavra era essa? Que prática? Especulações estavam no ar quando aconteceu o grande movimento da globalização: diminui hierarquia, reduz número de empregados, faz reengenharia… Mal tinha sido compreendido, o coaching virou salvação para muitos que nem tinham imaginado se preparar para nova carreira.

Aos poucos tudo virava coaching, uma verdadeira caixa de Pandora: falar inglês? Coaching emagrecer? Coaching viajar? Coaching saber se vestir, se pentear? Coaching achar uma casa para morar? Coaching um companheiro(a)? Coaching mudança na vida profissional? Coaching orientação de carreira? Coaching, Coaching, Coaching, COACHING.

Surgiram e continuam a surgir montes de orientadores de tudo como se coaching fosse isso, bem como formadores em coaching assim, criando um sem número de coaches assim, cada vez mais distanciados da origem do coaching, atraindo os profissionais por suas promessas de sucesso, poder e muito dinheiro. Chegam a dizer hoje que existe o “coaching do ser e o coaching do ter”. Você acha que não pode comprar aquele carro que tanto o atrai? Coaching, aquela viagem incrível sonhada? Coaching, um lugar espetacular para morar? Coaching. Surgiram lojas de coaching, Black Friday de coaching, mil modalidades de coaching.

E este é um caminho sem volta. Mas, deveriam mudar o nome do que fazem aqueles que continuam fiéis à origem do coaching? O que Tim Gallwey descobriu, de forma tão pessoal e com tanto investimento interno, deveria trocar de nome? A questão do desenvolvimento da percepção, do entendimento da aprendizagem, da apropriação da transformação pelo próprio sujeito nesse processo por ele chamado de coaching precisa de nova nomenclatura? Ele está vivo, quem sabe pensaria em outro nome? Não parece ser o caso, já que a criação do coaching por Tim Gallwey e o seu desenvolvimento durante os anos 70, por ele e Sir John Whitmore, são fatos concretos e um marco na forma de se trabalhar o desenvolvimento dos profissionais nas organizações e fora delas.

Poucos sabem fazer isto, sem cair no aconselhamento, na orientação ou até na persuasão. O processo é delicado e requer formação e experiência do coach, coisa que não acontece em dois ou três fins de semana e, muito menos, com fórmulas mágicas. No meio de tanta confusão, as próprias empresas têm dificuldade de compreender como escolher este processo para seus profissionais e muitas vezes compram gato por lebre, embora hoje já se possa contar com uma instituição atenta à prática do verdadeiro coaching, o ICF.

Então, como diferenciar o coaching já tradicional, beirando os 50 anos, de tudo que se apropriou do seu nome? Seria interessante chamá-lo de Coaching Original, pensando na sua origem.Mas correríamos o risco da palavra “original” remeter a algo diferente, criativo, como tantos se apresentam por aí. Coaching tradicional? Dá a impressão de algo que envelheceu e o coaching, por si só, é do domínio da surpresa: cada processo é único, dinâmico, pleno de energia, descobertas e transformação. Talvez, o ideal mesmo fosse chamá-lo de Coaching de Raiz, aquele que vem do fundo da “terra”, tão bem enraizado quanto a bela busca feita por Gallwey, corajoso por questionar sua prática e descobrir novas formas de exercê-la. Aí está.

Beatriz Pinheiro – é filósofa, pós-graduada em Comunicação Não/Verbal, Especialista em Desenvolvimento Pessoal e de Grupos. Abraçou o Coaching em 1992, pela semelhança entre este e a Metodologia Arvoredo, com a qual trabalha desde 1977.

Jovens sofrem com falta de educação financeira

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A situação de endividamento dos jovens no Brasil é crescente, dados para comprovar este fato não faltam. Mas o que leva a esta situação? Fatores primordiais são a inexperiência no trato com o dinheiro, os impulsos consumistas e a facilidade em obter crédito, que fazem com que cresça o número de jovens brasileiros endividados. Mudar essa situação, organizando as finanças, é cada vez mais difícil e, para isso, os jovens devem saber o que fazer com os primeiros salários e bolsas-auxílios.
 
Os jovens até 20 anos estão começando a ter acesso efetivo a ferramentas de crédito e estão assumindo o controle de suas finanças, entretanto, em sua maioria, eles não tiveram acesso à educação financeira. O que faz com que, ao terem dinheiro nas mãos, acreditem que possam adquirir tudo o que antes era impossível, utilizando parcelamento ou outras linhas de crédito que são, na verdade, dívidas.
 
É importante viver o presente, mas isso não impede que, já nos primeiros salários, se comece a planejar e construir o futuro com segurança, para ter a certeza de uma vida melhor, com mais qualidade e, no futuro, um aposentadoria tranquila. Para isso, é preciso uma mudança imediata na forma com que os jovens trabalham o dinheiro. É necessário aprender a planejar para realizar sonhos e objetivos, saber o quanto eles custam, quanto tempo levará para realizá-los, e, principalmente, quanto dinheiro mensal será reservado.
 
É importante estabelecer uma relação saudável com as finanças desde cedo, porque, afinal, vivemos em uma sociedade capitalista, na qual o dinheiro é um meio para a realização pessoal. Assim, estabelecendo relações, incitando a reflexões e transmitindo conhecimentos, é importante que o jovem assuma as rédeas da própria vida financeira, por meio de um modo simples e eficaz de lidar com o dinheiro, que é priorizando os sonhos. Por isso, elaborei o ciclo para os jovens ficarem sem dívidas:
 
Ciclo da Vida sem Dívidas
 
Diagnosticar
·         Fazer um diagnóstico financeiro anualmente
·         Distinguir o que é essencial e o que é supérfluo
·         Combater o analfabetismo financeiro
·         Saber o que é consumismo
·         Avaliar criticamente o marketing publicitário
·         Tomar cuidado com o crédito fácil
 
Sonhar
·         Ter, no mínimo, três sonhos: de curto, médio e longo prazos
·         Saber a diferença entre desejo imediato e sonho verdadeiro
·         Definir prazos para realizar cada sonho
·         Priorizar sonhos no orçamento
·         Guardar sempre dinheiro para cada um dos sonhos
 
Orçar
·         Gastar menos do que ganha
·         Adotar modelo de orçamento que priorize o sonho
·         Ter sempre uma reserva para uma situação de emergência
·         Comprar sempre à vista e pedir descontos
·         Evitar compras realizadas em muitas parcelas
·         Viver sempre respeitando o orçamento
 
Poupar
·         Poupar mensalmente parte do que ganha para os sonhos
·         Evitar pagamento de juros do cheque especial, cartão de crédito e de financiamentos
·         Investir de acordo com o tempo de realização dos sonhos
·         Dar preferência para investimentos de baixo risco
·         Respeitar o dinheiro, poupando tanto quanto for possível
 

Reinaldo Domingos é educador e terapeuta financeiro, presidente da DSOP Educação Financeira, Abefin e Editora DSOP, autor do best-seller Terapia Financeira, dos lançamentos Papo Empreendedor e Sabedoria Financeira, entre outras obras.

Vou festejar!

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por MARISA TORRES

Bate-bola. Não, não estou retomando temas de Copa do Mundo. Estou falando de algo importante em todas as carreiras e empresas que pretendem uma gestão de sucesso.

Um bom gestor tem a capacidade de reconhecer os talentos que o cercam e revelá-los para o mundo. E fazer com que o trabalho dessas pessoas sob o seu comando, às vezes restrito a um pequeno grupo, uma comunidade específica, chegue a projeções exponenciais. Isso, porque consegue avaliar o que tem diante de si. Ou seja, gestor de verdade tem essa capacidade de reconhecimento. É como o jornalista diante de um fato. Ele sabe o que é ou não notícia.

Para isso é preciso humildade, atenção para com o outro, disponibilidade e um pouco de ousadia de fugir dos modelos tradicionais das quase sempre manipuladas avaliações 360 graus ou coisas do gênero. Estou falando de usar menos o GPS e mais o instinto, cujos sinais vêm do coração, da euforia de se envolver com alguma ideia a ponto de não ter medo de que ela cresça. Ou saia do controle.

Eu vou dar um exemplo muito simples e arriscaria dizer que qualquer bom brasileiro conhece bem. O expressivo sucesso da música Vou Festejar, gerenciado e não apenas cantado pela sambista Beth Carvalho, começou assim. A cantora se atreveu a vislumbrar numa comunidade de sambistas de raiz, que estava diante de algo extraordinário. A música, por sua vez, estava lá para todo mundo cantar e sambar. Mas ela foi um pouco além. E é disso que eu estou falando. Estou apontando para profissionais que conectam pessoas talentosas a outras, ideias a ideias e constroem algo realmente transformador seja na vida ou na arte.

Um documentário com depoimentos sobre a trajetória desse sucesso de audiência mostra como essa música que, apesar de conter uma história da celebração de uma revanche ou vingança, de um jeito alegre e saboroso, se transformou num hino nacional, sempre lembrado em todo tipo de festividade, do carnaval às torcidas do Galo e do Atlético Mineiro e tantos outros times de futebol. Levantou estádios e shows.

A cantora procurou seu produtor e o convenceu que tinha algo importante em mãos. O mais interessante é que Beth decidiu, então, fazer o disco inteiro com as músicas dessa comunidade. Ela conta que, em geral, não escolhe as músicas de um disco. Ela grava muitas músicas tipo 40 no total. E depois reúne pessoas de diferentes níveis culturais, sociais e profissionais para opinar e ajudarem na seleção que vai compor o álbum. Esses encontros ela chama de bate-papo.

Ahh, que bom seria se os projetos corporativos levassem esse mesmo tipo de assinatura. Mais bate-papo, mais aceitação por parte de diferentes pontos de vista, de reunir os diversos talentos em torno de uma ideia maior. Mas no mundo corporativo, mais fácil é colocar de lado os talentos, ainda que investimentos altos sejam feitos em sua formação, a ter de lidar com uma opinião divergente. E com isso calamos a boca da gestão das pessoas. É como um compositor ou cantor cuja música nunca chegou às paradas.

A música Vou Festejar se transformou num fenômeno. E foi regravada na voz de muitos outros artistas e grupos que vão de Fundo de Quintal, a Monobloco e Arnaldo Antunes.

A música simplesmente tomou conta e se manifestou à exaustão na folia de multidões. E Beth conta que Vou Festejar  encerra desde então todos os shows. Ela é tão forte, tão envolvente, que não adianta tentar cantar nada depois disso. Ou seja, ela é o fim e o ápice, em si!

Aqui vale a pergunta. O que o seu gestor anda fazendo? Escolhendo as músicas do disco sozinho? É isso? Escondendo ou se livrando em vez de revelar os talentos que gravitam a sua volta? Se as respostas a essas perguntas são afirmativas. Cuidado, ele simplesmente tirou da lista de tarefas o bate-papo. Então vou arriscar dizer que talvez algum dia ele vá receber a música Vou Festejar, de presente.

Vou Festejar

Compositor: Jorge Aragão/Neoci Dias/Dida

Chora, não vou ligar

Chegou a hora

Vai me pagar

Pode chorar, pode chorar

É, o teu castigo

Brigou comigo

Sem ter por que

Vou festejar, vou festejar

O teu sofrer, o teu penar..

Você pagou com traição

A quem sempre lhe deu a mão

Você pagou com traição

A quem sempre lhe deu a mão