Navegar é preciso…

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Esteja certo de ancorar sua carreira num porto bonito. Que te traga boas memórias da tua trajetória de vida. Que te dê, senão conforto, algum bem-estar. Que te aproxime da terra e te permita ser orientado, também, pelas estrelas do horizonte e não apenas por autores de livros de negócios. Que seja, de fato, um lugar ao sol. E que você possa escolher diferentes rotas na jornada. E vislumbrar diferentes paisagens. E contar com uma tripulação que vai te ajudar a enfrentar as franjas do mar. Ou seja, aposte numa carreira que respeite o teu jeito de navegar. E zarpar sempre que preciso for…

Qual é o Brasil que queremos?

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por Marisa Torres

Qual é o Brasil que queremos? A pergunta se repete em todos os programas jornalísticos da Rede Globo e o âncora ensina a gravar o vídeo na horizontal. E é exatamente uma imagem na horizontal que temos hoje. Um país deitado em códigos de conduta que subjugam a condição de vida em sociedade. (nem vou dizer que a pergunta veio com o devido atraso de quem prefere dar uma de bom entendedor das demandas sociais, numa forma de omissão de responsabilidade pelos fatos).

Em tempos de Copa, a imagem é clara. Senão, que

se use um árbitro de vídeo. Será que ela caberia num só ângulo, ou seria melhor gravar um vídeo panorâmico?

Esticar os cantos da lente hoje é triste. O ministro interino do Trabalho, Helton Yomura, acaba de engrossar a já imensa lista de suspeitos de ações criminosas, que vai de políticos, governantes, representantes máximos da Justiça, a altos executivos de empresas privadas. Juntos formam verdadeiras quadrilhas ao lado do crime organizado.

Atenção para um dos cantos da tela que pode pegar o detalhe do aumento de câncer nas áreas rurais e para isso não há filtro: resulta em má formação de bebês e puberdade precoce.

Sem recurso de edição de imagem….uma nova lei favorece o impacto nocivo de agroquímicos na saúde e no cultivo das plantas, com o extermínio das abelhas, por exemplo. Ou seja,

o veneno vira contra o feiticeiro, porque sem o trabalho das abelhas toda a produção fica comprometida. E quem sofre? De novo, em primeiro lugar, quem vive do cultivo. Na linha do tempo, o relator que libera o uso de agrotóxicos no Brasil também restringe a venda de orgânicos. E vamos dar viva aos ruralistas ou à indústria química. São eles que colocam comida, digo, veneno na nossa mesa.

E não adianta colocar efeitos de animação na tela. Afinal, algumas tomadas já incentivam mais que publicidade de refrigerante. Ou seja, o gás de cozinha tem aumentos mais rápidos que servir um PF. Esta semana 4,4%. Mas não se esqueça de usar um loop (vai e volta). Afinal, no ano passado, 1,2 milhão de residências brasileiras voltaram a usar lenha e carvão para preparar alimentos.

Ao gravar o seu recado, aí vai outro. Hoje, 5/7/2018, completam-se 113 dias sem resposta aos assassinatos de Marielle e Anderson. Mas acho que você não vai querer saber ao certo quantas crianças e policiais foram mortos só no Rio de Janeiro nesse período, vai?

O seu tempo de 1 minuto de gravação está se esgotando. Enquanto isso… algum tipo de vida também se esvai. Afinal, o aumento dos planos de saúde privada em 4 vezes mais que os indicadores de inflação oficial seguem a lei do retorno. A gestão do SUS, já não conta mais, está na contagem regressiva.

Se a pergunta inicial “Qual país que queremos?” servir ao menos para uma reflexão honesta, … já valeu a pena ter gravado o vídeo. Salve-o agora, ou cale-se para sempre. Não é à toa, que amanhã, em plena sexta, dia de jogo de Copa para o Brasil, a terra ressentida, vai encurtar o passo e se afastar, tomar recuo, como quem vai cobrar uma penalidade máxima, numa longa exposição. Parece que a própria terra lamenta ver tantos gritos de desespero, sem qualquer audiência séria. São imagens em movimento e que parecem sem volta. Agora é só esperar o âncora te chamar pelo nome.

Prem Baba: “Propósito é amor em movimento”

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por Marisa Torres

Será que temos muitas árvores de laranja se esforçando muito, mas muito mesmo, para produzir maças? A provocação vem do líder espiritual Sri Prem Baba, na abertura de um evento para centenas de gestores de treinamento e desenvolvimento, para engatar outro questionamento: “Quem é você na verdade?”

Sim, desta vez a palavra do mestre brasileiro, que tem entre seus milhares de seguidores, celebridades como Reynaldo Gianecchini e Bruna Lombardi, se dirigia a profissionais que estão mais acostumados a cuidar do  desenvolvimento de outras pessoas. Mas será que esses gestores estão de fato felizes com suas próprias carreiras? E mais, será que estão conseguindo ajudar as corporações a criar um ambiente de união? Uma série de perguntas foi lançada pelo mestre contemporâneo, Prem Baba, que tem provocado mudanças profundas na vida de inúmeras pessoas.

A provocação maior, no previsível ambiente de gestão de pessoas, talvez tenha sido a coragem da equipe de conteúdo da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (CBTD), ao trazer o líder espiritual para falar na abertura do evento anual. O tema maior do encontro seguiu o mesmo apelo editorial de Sri Prem Baba, autor de O Propósito, em quarto lugar entre os dez livros mais vendidos.

Sri Prem Baba afirmou com a simplicidade e autonomia de sempre: “propósito é o amor em movimento.” Convidou os participantes do evento a colocar seus dons e talentos a serviço do outro. “Para ver o outro melhor, para ver o outro brilhar”, arrematou.

O líder humanitário, no comando de dois asharans no Brasil e outro na índia, afirmou que a sociedade passa por um momento revolucionário, uma vez que “estamos cansados de tantas mazelas, de tanto sofrimento”. E orientou os participantes a fazer uma investigação se estavam de fato satisfeitos com vários aspectos da vida: financeira, afetiva, saúde, relacionamentos, profissional e espiritual.

O criador do movimento AwakenLove insistiu na tecla do auto conhecimento para resgatar valores associados à união e à felicidade. Um sopro de luz sobre a “verdade de quem é você”? E o que te move neste mundo? Prem Baba deu pistas de como iniciar esta busca que dá mostras na infância de cada um.

Segundo ele, auto conhecimento é a base do tripé da paz, propósito e prosperidade. Essas possibilidades foram afastadas de todos nós, explica Prem Baba, em virtude do esvaziamento do amor que cedeu espaço para o medo da escassez.

Ao final, Sri Prem Baba, convidou a todos a fazerem um minuto de silêncio para se aproximarem um pouco mais desse eu verdadeiro. Era um aceno para dizer que treinamento e fé, na prática, podem transformar vidas. A chance de as maças verdadeiras florescerem e as laranjas amadurecerem em sua fragrância máxima.

Serviço:

O líder humanitário divide sua moradia entre o Brasil e a Índia. Ao longo do ano, também viaja pelo mundo visitando os diversos centros que estão se desenvolvendo com base nos seus ensinamentos. No Brasil, seus trabalhos se concentram no Sachcha Mission Ashran (Nazaré Paulista, São Paulo) e na Escola do Coração (São Paulo). Na Índia, vive no Sachcha Dham Ashran (Laxman Jhula, Rishikesh)

Oficial Website: www.prembaba.org.br

http://www.awakenlove.global

Outros conteúdos relevantes:

Conversa com Bial: https://globoplay.globo.com/v/6146975/

www.awakenlove.com.br

Aposta real

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por Marisa Torres

Quando será que o LinkedIn vai acordar?

Quando vai mirar para a imensidão de histórias reais que ele atrai, mas esconde nas entrelinhas do politicamente correto na carreira?

Que carreira? Aquela que agora exibimos nas fotos de posts felizes, mas que, de fato, nos coloca na UTI dos hospitais. Senão dos hospícios?!

Mas vamos retomar os posts do LinkedIn. Talvez você preferisse ver aqui um post de um sorriso Colgate entre um cliente e um vendedor. Ou entre um grupo enorme de profissionais e a visita surpresa do chefe que fica a quilômetros de distância, mas hoje resolveu tomar caipirinha de graça no Brazil, digo Brasil.

Mas o que eu vejo é uma imitação de um Facebook trágico. O que há de errado com o real? Por que não usamos todas essas experiências para contar o quanto este mercado de trabalho tem nos tornado infelizes?

Por que não conseguimos medir as gestões de RH como deveríamos? Uma vez que elas pouco se importam de fato com o que as pessoas consideram importantes para a vida como um todo?

Por que o LinkedIn não está aqui para nos ajudar a refletir sobre nossas experiências profissionais? Um bom começo seria remunerar as pessoas e os posts para contar suas histórias reais. Com nome, sobrenome e empresas.

Muita ousadia, não? Seria impossível falar a verdade sobre nossos empregos, certo!? O quanto estamos desapontados, infelizes e doentes. E achamos tudo isso normal e nos mantemos, dia após dia, fazendo a mesma, mesmíssima coisa e postando fotos para impressionar nossos amigos que fazem o mesmo, sem a coragem de questionar o ritmo chato e previsível de vida que levamos adiante. Lógico que podemos, estamos empregados, o que mais nos falta? Falta a dignidade de assumir que não é bem isso que nos faz feliz.

No momento em que uma URL ou qualquer endereço de conexão verdadeira abrir espaço para as pessoas dizerem o que de fato sofreram em suas carreiras talvez seja mais impactante fazer parte dela.

Uma URL que promova a verdade das relações profissionais e interpessoais, antes que se possa pedir por uma entrevista de emprego.

Enquanto nos escondermos atrás de fotos-sorriso com chefes que odiamos e nos odeiam. Enquanto continuarmos a colocar no ranking das melhores empresas aquelas que nos envergonham nas manchetes de jornais em escândalos de roubos e subornos.

Enquanto acharmos normal ter de ser humilhados ou sujeitos a desaforos nos processos de seleção que não passam de uma triagem vulgar que não mede esforços em menosprezar profissionais do mais alto padrão.

Enquanto estivermos vivendo neste ambiente, o emprego que você deseja é tudo que você vai ter. Exatamente o que está descrito acima.

Quando vamos ter a coragem de abrir espaço para falar a verdade do que acontece no ambiente de trabalho?

Alguém aí se candidata? Vamos começar com uma verdade leve, em vez da completa. Talvez você possa usar um codinome, como nos tempos da ditadura. Ou talvez falar daquele emprego que você deixou para trás e não te afeta mais e não abrir logo de cara o nome de todos os teus ex-chefes que te seguem aqui. Talvez até só mencionar o ramo de atividade da empresa, sem citar nomes. Mas se a tua história for boa, sincera, garanto que vai te fazer muito bem escancarar isso e alertar quem está entrando nesta selva… e tem a doce ilusão de que tudo vai ser como as fotos do LinkedIn.

Talvez seja também a única forma de salvar o LinkedIn da mesmice de sempre. E de uma debanda geral em breve. Quem deseja conexões que não são verdadeiras? Uma vez que nem emprego você encontra aqui mesmo. No máximo, um sorriso falso, a espera daquele like que não virá. Nem aqui, nem lá.