Semana Internacional do Coaching, em BH

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Para os interessados no tema, Belo Horizonte será sede, entre os dias 18 e 22 de maio, da Semana Internacional do Coaching (International Coaching Week – ICW). Promovida pela ICF (International Coach Federation) Minas, é uma oportunidade dos participantes discutirem sobre carreira, treinamento, profissões, habilidades e competências, em busca do cumprimento de metas e objetivos profissionais. O evento, gratuito e aberto ao público, ocorrerá no anfiteatro (L2) do Shopping Pátio Savassi (Avenida do Contorno, 6061 – Savassi).

A programação da Semana Internacional de Coaching na capital mineira vai contar com palestras explicativas que abordam todo o universo da área. “É um momento de explicar para o público presente o que é coaching e como ele auxilia no desenvolvimento das habilidades”, ressalta a presidente da International Coach FederationChapter Minas (ICF Minas), Júlia Ramalho Pinto. Além disso, é uma forma de os profissionais trocarem informações com outros especialistas e, com isso, acrescenta Júlia, conhecer melhor a associação, que vem cuidando das questões éticas e profissionais do coachingem Minas.

Os interessados em participar do evento devem agendar previamente pelo e-mail eventos@ifcfminas.org. Também é possível se inscrever no local, mas as vagas estão sujeitas à lotação do espaço. Além do Pátio Savassi, o evento acontecerá no IETEC (18 a 21 de maio, cujas inscrições são pagas) e no Museu de Minas e Metal Gerdau (fechado para convidados). A programação completa do evento em Belo Horizonte está disponível em http://www.icfminas.org.

O coaching desfigurado

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por Beatriz Pinheiro

img_foto_beatrizEle chegou aqui, de mansinho, ao final dos anos 80. Poucos davam coaching no Brasil, ficando restrito a São Paulo por um bom tempo. Mas o que era coaching? Que palavra era essa? Que prática? Especulações estavam no ar quando aconteceu o grande movimento da globalização: diminui hierarquia, reduz número de empregados, faz reengenharia… Mal tinha sido compreendido, o coaching virou salvação para muitos que nem tinham imaginado se preparar para nova carreira.

Aos poucos tudo virava coaching, uma verdadeira caixa de Pandora: falar inglês? Coaching emagrecer? Coaching viajar? Coaching saber se vestir, se pentear? Coaching achar uma casa para morar? Coaching um companheiro(a)? Coaching mudança na vida profissional? Coaching orientação de carreira? Coaching, Coaching, Coaching, COACHING.

Surgiram e continuam a surgir montes de orientadores de tudo como se coaching fosse isso, bem como formadores em coaching assim, criando um sem número de coaches assim, cada vez mais distanciados da origem do coaching, atraindo os profissionais por suas promessas de sucesso, poder e muito dinheiro. Chegam a dizer hoje que existe o “coaching do ser e o coaching do ter”. Você acha que não pode comprar aquele carro que tanto o atrai? Coaching, aquela viagem incrível sonhada? Coaching, um lugar espetacular para morar? Coaching. Surgiram lojas de coaching, Black Friday de coaching, mil modalidades de coaching.

E este é um caminho sem volta. Mas, deveriam mudar o nome do que fazem aqueles que continuam fiéis à origem do coaching? O que Tim Gallwey descobriu, de forma tão pessoal e com tanto investimento interno, deveria trocar de nome? A questão do desenvolvimento da percepção, do entendimento da aprendizagem, da apropriação da transformação pelo próprio sujeito nesse processo por ele chamado de coaching precisa de nova nomenclatura? Ele está vivo, quem sabe pensaria em outro nome? Não parece ser o caso, já que a criação do coaching por Tim Gallwey e o seu desenvolvimento durante os anos 70, por ele e Sir John Whitmore, são fatos concretos e um marco na forma de se trabalhar o desenvolvimento dos profissionais nas organizações e fora delas.

Poucos sabem fazer isto, sem cair no aconselhamento, na orientação ou até na persuasão. O processo é delicado e requer formação e experiência do coach, coisa que não acontece em dois ou três fins de semana e, muito menos, com fórmulas mágicas. No meio de tanta confusão, as próprias empresas têm dificuldade de compreender como escolher este processo para seus profissionais e muitas vezes compram gato por lebre, embora hoje já se possa contar com uma instituição atenta à prática do verdadeiro coaching, o ICF.

Então, como diferenciar o coaching já tradicional, beirando os 50 anos, de tudo que se apropriou do seu nome? Seria interessante chamá-lo de Coaching Original, pensando na sua origem.Mas correríamos o risco da palavra “original” remeter a algo diferente, criativo, como tantos se apresentam por aí. Coaching tradicional? Dá a impressão de algo que envelheceu e o coaching, por si só, é do domínio da surpresa: cada processo é único, dinâmico, pleno de energia, descobertas e transformação. Talvez, o ideal mesmo fosse chamá-lo de Coaching de Raiz, aquele que vem do fundo da “terra”, tão bem enraizado quanto a bela busca feita por Gallwey, corajoso por questionar sua prática e descobrir novas formas de exercê-la. Aí está.

Beatriz Pinheiro – é filósofa, pós-graduada em Comunicação Não/Verbal, Especialista em Desenvolvimento Pessoal e de Grupos. Abraçou o Coaching em 1992, pela semelhança entre este e a Metodologia Arvoredo, com a qual trabalha desde 1977.