GM e talentos no Salão do Automóvel

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O Salão do Automóvel e a F1 em São Paulo têm lá suas estrelas conhecidas. Mas há ainda o pessoal de RH que faz um lindo trabalho de bastidores, ou melhor, que cada vez mais sai do anonimato. Lembra do tempo de recrutamento de talentos numa sala apertada? Que nada…e que tal em meio à fervura do maior evento do setor?! Sim. O RH da GM também tem um estande no Salão do Automóvel. Assim, fica mais fácil ir ao encontro de apaixonados pelo segmento no ambiente certo. Parabéns RH da GM! Liderança começa aí, na inovação do recrutamento… afinado como um motor de corrida.

Vou festejar!

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por MARISA TORRES

Bate-bola. Não, não estou retomando temas de Copa do Mundo. Estou falando de algo importante em todas as carreiras e empresas que pretendem uma gestão de sucesso.

Um bom gestor tem a capacidade de reconhecer os talentos que o cercam e revelá-los para o mundo. E fazer com que o trabalho dessas pessoas sob o seu comando, às vezes restrito a um pequeno grupo, uma comunidade específica, chegue a projeções exponenciais. Isso, porque consegue avaliar o que tem diante de si. Ou seja, gestor de verdade tem essa capacidade de reconhecimento. É como o jornalista diante de um fato. Ele sabe o que é ou não notícia.

Para isso é preciso humildade, atenção para com o outro, disponibilidade e um pouco de ousadia de fugir dos modelos tradicionais das quase sempre manipuladas avaliações 360 graus ou coisas do gênero. Estou falando de usar menos o GPS e mais o instinto, cujos sinais vêm do coração, da euforia de se envolver com alguma ideia a ponto de não ter medo de que ela cresça. Ou saia do controle.

Eu vou dar um exemplo muito simples e arriscaria dizer que qualquer bom brasileiro conhece bem. O expressivo sucesso da música Vou Festejar, gerenciado e não apenas cantado pela sambista Beth Carvalho, começou assim. A cantora se atreveu a vislumbrar numa comunidade de sambistas de raiz, que estava diante de algo extraordinário. A música, por sua vez, estava lá para todo mundo cantar e sambar. Mas ela foi um pouco além. E é disso que eu estou falando. Estou apontando para profissionais que conectam pessoas talentosas a outras, ideias a ideias e constroem algo realmente transformador seja na vida ou na arte.

Um documentário com depoimentos sobre a trajetória desse sucesso de audiência mostra como essa música que, apesar de conter uma história da celebração de uma revanche ou vingança, de um jeito alegre e saboroso, se transformou num hino nacional, sempre lembrado em todo tipo de festividade, do carnaval às torcidas do Galo e do Atlético Mineiro e tantos outros times de futebol. Levantou estádios e shows.

A cantora procurou seu produtor e o convenceu que tinha algo importante em mãos. O mais interessante é que Beth decidiu, então, fazer o disco inteiro com as músicas dessa comunidade. Ela conta que, em geral, não escolhe as músicas de um disco. Ela grava muitas músicas tipo 40 no total. E depois reúne pessoas de diferentes níveis culturais, sociais e profissionais para opinar e ajudarem na seleção que vai compor o álbum. Esses encontros ela chama de bate-papo.

Ahh, que bom seria se os projetos corporativos levassem esse mesmo tipo de assinatura. Mais bate-papo, mais aceitação por parte de diferentes pontos de vista, de reunir os diversos talentos em torno de uma ideia maior. Mas no mundo corporativo, mais fácil é colocar de lado os talentos, ainda que investimentos altos sejam feitos em sua formação, a ter de lidar com uma opinião divergente. E com isso calamos a boca da gestão das pessoas. É como um compositor ou cantor cuja música nunca chegou às paradas.

A música Vou Festejar se transformou num fenômeno. E foi regravada na voz de muitos outros artistas e grupos que vão de Fundo de Quintal, a Monobloco e Arnaldo Antunes.

A música simplesmente tomou conta e se manifestou à exaustão na folia de multidões. E Beth conta que Vou Festejar  encerra desde então todos os shows. Ela é tão forte, tão envolvente, que não adianta tentar cantar nada depois disso. Ou seja, ela é o fim e o ápice, em si!

Aqui vale a pergunta. O que o seu gestor anda fazendo? Escolhendo as músicas do disco sozinho? É isso? Escondendo ou se livrando em vez de revelar os talentos que gravitam a sua volta? Se as respostas a essas perguntas são afirmativas. Cuidado, ele simplesmente tirou da lista de tarefas o bate-papo. Então vou arriscar dizer que talvez algum dia ele vá receber a música Vou Festejar, de presente.

Vou Festejar

Compositor: Jorge Aragão/Neoci Dias/Dida

Chora, não vou ligar

Chegou a hora

Vai me pagar

Pode chorar, pode chorar

É, o teu castigo

Brigou comigo

Sem ter por que

Vou festejar, vou festejar

O teu sofrer, o teu penar..

Você pagou com traição

A quem sempre lhe deu a mão

Você pagou com traição

A quem sempre lhe deu a mão